Processo de cianotipia permite impressões de três cores com camadas

Resumo rápido: é possível criar cianotipias com duas ou três cores aplicando camadas sucessivas de química de cianotipo, usando negativos preparados para cada cor, branqueamento e banhos de tonificação. O processo exige lavagem cuidadosa entre etapas e preparação de negativos que realcem diferenças de cor.

Este artigo explica, passo a passo, como são feitas impressões de duas e três cores em cianotipia a partir das informações do estudo de Filipe Alves. Para referência direta ao método original, consulte a Fonte.

Por que fazer cianotipias em camadas

A cianotipia é tradicionalmente uma técnica monocromática que produz o clássico azul de Prússia. No entanto, com variações de banho, branqueamento e tonificação, é possível obter outros matizes — como marrom e amarelo — e combiná-los em camadas para criar imagens com até três cores distintas. O método explora a combinação de cores resultantes do próprio processo químico e a aplicação sucessiva de emulsões e exposições.

Materiais e ingredientes essenciais

Os ingredientes listados no método são os seguintes:

  • Ferric ammonium citrate
  • Potassium ferricyanide
  • Tannic acid (para tonificação)
  • Sodium bicarbonate ou outro agente para branqueamento

Além desses reagentes, o procedimento requer um conjunto de negativos preparados, um protocolo de pré-encolhimento do papel (se necessário) e banhos de lavagem adequados entre etapas.

Preparação dos negativos

Como a paleta de cores disponível na cianotipia é limitada, os negativos precisam enfatizar diferenças de cor para que as camadas se diferenciem na impressão final. A recomendação é aumentar muito a saturação do arquivo de origem e separar canais em CMY, usando os canais como base para criar negativos distintos: M para marrom, C para azul e Y para a faixa amarelada.

O autor sugere usar o modo multichannel (por exemplo, em Photoshop) para obter os canais CMY. Para quem prefere evitar ajustes finos de curvas e exposição, aplicar uma tela de meio-tom aos negativos reduz resolução mas produz alto contraste, o que facilita a obtenção de negativos que cobrem as faixas de tons necessárias.

Princípios de cor na cianotipia

A cianotipia não oferece uma ampla gama cromática. Segundo o procedimento descrito, as cores possíveis derivam basicamente de três componentes: o azul de Prússia original, um amarelo claro obtido por branqueamento, e tons avermelhados ou marrons alcançados por tonificação com tannic acid (ou pirogallic acid, citado como alternativa que dá tonalidade ligeiramente diferente).

O autor explica que outras tonalidades escuras são normalmente combinações dessas três cores básicas. Por isso, a ordem de aplicação das camadas é crítica para preservar cada componente.

Sequência geral de camadas

De acordo com o método, a sequência básica para aplicar cores é:

  • Aplicar a primeira camada (por exemplo, marrom): coating, exposição com o negativo para essa cor, lavar, tonificar, branquear (quando indicado) e lavar.
  • Reaplicar a emulsão para a segunda camada (por exemplo, azul): coating, exposição com o negativo correspondente, lavar.
  • Para três cores, inserir a camada amarela entre o marrom e o azul, com branqueamento específico para revelar o amarelo antes da última camada.

As etapas de lavagem entre tonificação e nova aplicação são enfatizadas como fundamentais: se não houver lavagem completa, resíduos de tonificante poderão afetar camadas seguintes e alterar cores indesejadamente.

Como fazer uma cianotipia em duas cores (marrom e azul)

O procedimento exemplificado por Filipe Alves é o seguinte:

  1. Coating do papel com a solução sensível para a camada marrom.
  2. Exposição usando o negativo criado para a cor marrom (por exemplo, o canal M).
  3. Lavar o papel para remover químicos soltos.
  4. Aplicar banho de tonificação (tannic acid) para transformar a parte branqueada/clareada em tons avermelhados/marrons.
  5. Branquear o resultado onde necessário e aplicar novo banho de lavagem.
  6. Recoating do papel com a solução sensível para a camada azul.
  7. Exposição com o negativo do canal C e lavagem final.

O mesmo fluxo pode ser adaptado para combinações como preto (tonificado) e azul, seguindo o mesmo princípio: primeiro a camada que será tonificada/alterada quimicamente, depois a camada azul final.

Como fazer uma cianotipia em três cores (marrom, amarelo e azul)

A impressão em três cores mostra mais limitações práticas e de tonalidade. O amarelo é muito claro e sensível à tonificação, que tende a escurecê-lo para marrom. O método recomendado é:

  1. Primeira camada: aplicar e expor para o marrom, lavar e tonificar (obter o marrom desejado). Lavar novamente.
  2. Segunda camada: recoating e expor com o negativo para o amarelo. Lavar e depois branquear; nesse passo o componente tonificado pode tornar-se marrom novamente enquanto o componente para amarelo fica visível. Lavar.
  3. Terceira camada: recoating e expor com o negativo para o azul. Lavar e finalizar.

O autor observa que alcançar um amarelo limpo é difícil, porque a tonificação atinge também áreas pouco expostas e pode reduzir contraste e brilho. Por isso, o sucesso desta versão depende de testes cuidadosos e de um controle rigoroso das lavagens.

Boas práticas e dicas extraídas do método

  • Preshrinking do papel é recomendado quando houver preocupação com alinhamento entre camadas.
  • Aplicar meio-tom aos negativos pode ajudar a obter maior contraste e diferencial entre camadas, apesar da perda de resolução.
  • Testes prévios em papéis menores ou tiras de prova ajudam a calibrar exposições e tempos de branqueamento/tonificação.
  • Lavagens completas entre etapas são essenciais para evitar contaminação cruzada de tonificantes.
  • Toning com chá (tea) dá um amarelo mais quente, mas pode tingir o papel; tannic acid dá um marrom avermelhado mesmo nas altas luzes não expostas, o que reduz contraste.

Variações e limitações

O processo não é um método de separação de cores amplo como a reprodução fotográfica em cores convencionais. A paleta é limitada e muitas cores escuras são misturas das três bases (azul, amarelo branqueado e marrom tonificado). Resultados criativos são possíveis, mas com restrições intrínsecas ao próprio comportamento químico da cianotipia.

Mais detalhes técnicos, exemplos visuais e imagens de testes são apresentados na Fonte citada no início.

Quando este método é indicado

Este método é indicado para fotógrafos e artistas impressores que desejam explorar variações de cor dentro da estética da cianotipia, ampliando a linguagem visual da técnica sem recorrer a processos fotográficos coloridos tradicionais. Ele exige paciência, testes e boa disciplina de laboratório.

O que não está disponível neste artigo

Informações detalhadas sobre tempos de exposição precisos, concentrações exatas das soluções químicas, alternativas de segurança e procedimentos de descarte não estão disponíveis no material de referência fornecido e, portanto, não foram incluídas aqui.

Resumo final e próximos passos práticos

É perfeitamente factível obter impressões de duas e três cores com cianotipia aplicando camadas sucessivas, preparando negativos a partir dos canais CMY e combinando branqueamento e tonificação. A sequência das camadas, a lavagem entre etapas e a preparação dos negativos são os fatores críticos para o sucesso.

Para quem quiser aprofundar, recomenda-se revisar a exposição original de Filipe Alves na Fonte e conduzir uma série de testes controlados para ajustar materiais e tempos ao equipamento e papel disponíveis.

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