Fonte principal: pesquisa detalhada sobre papéis para cyanotype por Christina Z. Anderson. Em resumo: testando mais de 100 papéis e gastando US$1.613,63 em amostras, a pesquisadora identificou um grupo confiável de papéis que produzem cyanotypes com boa tonalidade, textura e estabilidade. Para quem quer resultados imediatos, as recomendações práticas começam com um pequeno grupo de papéis sem tamponamento e algumas opções que funcionam “out of the box”.
BLUF (bottom line up front): se procura papéis seguros para iniciar ou aprimorar sua prática de cyanotype, comece por papéis rotulados como “platinum” ou “platinotype” e experimente também alguns papéis de aquarela e bristol listados abaixo. Esses papéis tendem a oferecer boa absorção dos químicos, tonalidade azul intensa e menos defeitos como manchas brancas ou cinza lavado.
Por que o tipo de papel importa
A pesquisa mostra que papéis variam amplamente em composição, cor, gramatura e acabamento. Alguns papéis que já foram excelentes mudaram composição ou passaram a ser tamponados (buffered), o que pode prejudicar processos alternativos como cyanotype. A escolha do papel impacta diretamente em:
- textura e nitidez dos detalhes;
- tonalidade final do azul (turquesa vs azul profundo);
- velocidade de exposição;
- presença de defeitos como pontos brancos e granulação;
- compatibilidade com técnicas complementares (gum, platina, etc.).
Metodologia de teste usada na pesquisa
Os testes foram realizados uniformemente para permitir comparações fiáveis. Pontos-chave do protocolo:
- Química: fórmula tradicional 10% FAC : 10% PF (ferric ammonium citrate e potassium ferricyanide), escolhida por produzir prints menos granulados e mais suaves.
- Desenvolvimento: cinco métodos testados (água, vinagre, cítrico, ácido clorídrico, sulfâmico), com vinagre e cítrico selecionados como mais práticos.
- Exposição: 30 minutos em unidade UVBL Edwards; tempos finais deduzidos via wedges de 31 passos, majoritariamente 19–24 minutos para a maioria dos papéis.
- Negativos: impressos em Epson (ex.: 3880 e P800) com ajuste de densidade para consistência entre printers.
- Amostragem: cada papel testado com múltiplos wedges e pelo menos um print final; mais de 700 prints triados em categorias: melhor, acidificar, eliminar e usar como está.
Papéis sem tamponamento: melhores opções
Segundo a pesquisadora, papéis sem tamponamento formulados para processos alternativos oferecem resultados consistentes. Entre os que ela destaca como confiáveis estão:
- Arches Platine (duas gramaturas) — boa opção por ser desenhada para alt processes;
- Awagami Platinum Gampi (duas gramaturas; preferir 60 gsm mais encorpado);
- Awagami Platinum Mitsumata — alternativa, embora Gampi seja preferida;
- Bergger Cot 320 (duas gramaturas) — similar ao Platine;
- Hahnemühle Platinum Rag — firmemente sized, produz turquesas bonitos com 10/10;
- Herschel Platinotype — opção europeia indicada;
- Legion Revere Platinum — papel americano, exige aplicação cuidadosa para evitar splotches.
Papéis que funcionam “out of the box”
Alguns papéis, embora possam ser tamponados, testaram bem sem tratamento adicional e representam opções práticas para quem quer começar sem etapas extras:
- Arches Aquarelle — ótimo resultado, pode também ser pré-acidificado quando desejado;
- Canson Bristol Recycled — o mais branco, econômico;
- Canson XL Watercolor — imprime azul-negro profundo; melhor se pré-acidificado;
- Hahnemühle Cezanne — textura mini-bumpy e azuis aveludados;
- Hahnemühle Lanaquarelle — superfície lisa para múltiplas demãos;
- Legion Rising Drawing Bristol — surpreendente mesmo tamponado;
- Strathmore 500 Series Bristol — uma das poucas Strathmore adequadas.
Papéis finos, washi e opções econômicas
A autora testou uma variedade de papéis mais finos e alternativas econômicas que podem interessar a iniciantes e artistas que buscam variedade de cor e textura. Estes papéis requerem atenção ao método de aplicação do sensível e à secagem:
- Arches Text Wove — bom para prints leves e livros;
- Bienfang Graphics 360 / Clearprint 1020H — opções técnicas finas, Clearprint é favorita se escolher entre elas;
- Canson Mi-Teintes e Fabriano Tiziano — papéis coloridos econômicos para explorar variações tonais;
- Hahnemühle Sumi-e, Legion Masa, Legion Thai Kozo — washi e kozo finos que imprimem belamente, mas exigem toque cuidadoso;
- Canson Opalux vellum e vellums técnicos — únicos, mas mais difíceis de manusear.
Dicas práticas retiradas da pesquisa
Para reduzir desperdício e maximizar qualidade, a pesquisadora recomenda:
- Comprar uma folha de cada papel ao começar a testar em vez de pacotes grandes;
- Usar o mesmo negativo e protocolo de exposição para comparar papéis (mesma imagem, mesma unidade UV);
- Considerar pré-acidificação com sulfamic apenas para papéis que se beneficiem disso (assunto para estágio avançado);
- Experimentar a fórmula 10%/10% FAC:PF se buscar menos granulação e tons mais turquesa; esta foi a escolha que produziu resultados surpreendentes na pesquisa;
- Classificar resultados em categorias (usar como está, acidificar, eliminar) e manter registros de tempo de exposição e método de lavagem.
Onde comprar
A pesquisa lista fornecedores nos EUA, Canadá e Europa onde a maioria desses papéis pode ser adquirida. No contexto da pesquisa, foram citados varejistas especializados e lojas de materiais artísticos que entregam tanto papéis convencionais quanto papéis especialmente formulados para processos alternativos.
Observação sobre limitações
Nem todos os papéis testados estão detalhados aqui; a lista completa e a discussão aprofundada foram prometidas pela autora para publicação futura. Além disso, há uma categoria separada de papéis que funcionam bem se pré-acidificados, que não foi incluída neste resumo por ser matéria para outro nível de prática.
Conclusão acionável
Para começar com segurança: adquira um ou dois papéis da seção “sem tamponamento” (por exemplo, Arches Platine ou Hahnemühle Platinum Rag) e um papel econômico da seção de entradas (por exemplo, Canson Bristol Recycled ou Clearprint). Faça testes com o mesmo negativo e a fórmula 10%/10% recomendada na pesquisa para comparar velocidade, granularidade e tonalidade. Registre tempos e método de lavagem. A partir daí, expanda para washi e papéis coloridos conforme sua estética e necessidades de mercado.
Se desejar acessar o relatório e a lista completa original, a pesquisa está disponível na seguinte fonte: Papers for traditional / classic cyanotype process — Christina Z. Anderson.






